Entrevista

Heritier Mbunga “Escuro”: “Transformei a dor em identidade e a identidade em marca.”

Heritier Mbunga “Escuro”: “Transformei a dor em identidade e a identidade em marca.”
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Taça Cheia Podcast

O Podcast Taça Cheia recebeu o costureiro e empreendedor angolano Heritier Mbunga, conhecido artisticamente como Escuro, numa conversa conduzida pelo jornalista Sebastião Vemba, gravada no espaço Malavos, em Luanda.

Durante o episódio, Escuro abriu o seu percurso pessoal e profissional, partilhando a origem do nome que hoje identifica a sua marca. Segundo explicou, “Escuro” nasceu como resposta ao bullying sofrido na infância, tendo sido transformado, com o tempo, numa identidade assumida e numa marca de afirmação pessoal e criativa.

Formado em gestão e com passagem pelo sector bancário, Heritier Mbunga contou que a entrada no mundo da moda não foi imediata. Antes de fundar o Atelier Escuro e, mais tarde, o Grupo Escuro, tentou vários caminhos no empreendedorismo, incluindo mototáxi, restauração e agricultura, até encontrar na indústria têxtil a sua verdadeira vocação.

Ao falar da sua relação com a moda, defendeu que o acto de vestir é também uma forma de comunicação e expressão social. Para Escuro, a moda angolana carece de maior valorização interna, profissionalização e reconhecimento enquanto sector económico com potencial para gerar emprego e identidade cultural.

Sobre a indústria têxtil em Angola, considerou que o sector ainda se encontra numa fase embrionária, fortemente dependente de importações e marcado por custos elevados de produção. Ainda assim, destacou avanços recentes, com estilistas nacionais a conquistarem espaço e visibilidade dentro e fora do país.

No que toca aos eventos de moda, reconheceu a sua importância para a promoção de criadores locais, mas deixou críticas à fraca adesão do consumo interno à produção nacional, sublinhando que a valorização da moda angolana passa também pela escolha consciente dos próprios angolanos.

Escuro revelou ainda planos de expansão internacional, lembrando que já atendeu clientes em Portugal e que pretende reforçar a presença na Europa, além de explorar mercados africanos como o Gana e a Nigéria.

Para além da moda, o empreendedor falou do investimento no Malavos, um espaço que alia garrafeira e restauração, dedicado à promoção de experiências vínicas. Segundo explicou, o negócio dos vinhos surge como uma extensão natural do seu entendimento de lifestyle.

No encerramento da conversa, Escuro afirmou que moda e vinho fazem parte do mesmo universo: cuidado com a imagem, atenção ao detalhe e prazer em servir bem, princípios que orientam tanto o seu trabalho criativo como os seus projectos empresariais.

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Veloso de Almeida

Repórter

Veloso estudou Comunicação Social no Instituto Superior Técnico de Angola (ISTA) e estagia como jornalista no portal ONgoma News.

O Podcast Taça Cheia recebeu o costureiro e empreendedor angolano Heritier Mbunga, conhecido artisticamente como Escuro, numa conversa conduzida pelo jornalista Sebastião Vemba, gravada no espaço Malavos, em Luanda.

Durante o episódio, Escuro abriu o seu percurso pessoal e profissional, partilhando a origem do nome que hoje identifica a sua marca. Segundo explicou, “Escuro” nasceu como resposta ao bullying sofrido na infância, tendo sido transformado, com o tempo, numa identidade assumida e numa marca de afirmação pessoal e criativa.

Formado em gestão e com passagem pelo sector bancário, Heritier Mbunga contou que a entrada no mundo da moda não foi imediata. Antes de fundar o Atelier Escuro e, mais tarde, o Grupo Escuro, tentou vários caminhos no empreendedorismo, incluindo mototáxi, restauração e agricultura, até encontrar na indústria têxtil a sua verdadeira vocação.

Ao falar da sua relação com a moda, defendeu que o acto de vestir é também uma forma de comunicação e expressão social. Para Escuro, a moda angolana carece de maior valorização interna, profissionalização e reconhecimento enquanto sector económico com potencial para gerar emprego e identidade cultural.

Sobre a indústria têxtil em Angola, considerou que o sector ainda se encontra numa fase embrionária, fortemente dependente de importações e marcado por custos elevados de produção. Ainda assim, destacou avanços recentes, com estilistas nacionais a conquistarem espaço e visibilidade dentro e fora do país.

No que toca aos eventos de moda, reconheceu a sua importância para a promoção de criadores locais, mas deixou críticas à fraca adesão do consumo interno à produção nacional, sublinhando que a valorização da moda angolana passa também pela escolha consciente dos próprios angolanos.

Escuro revelou ainda planos de expansão internacional, lembrando que já atendeu clientes em Portugal e que pretende reforçar a presença na Europa, além de explorar mercados africanos como o Gana e a Nigéria.

Para além da moda, o empreendedor falou do investimento no Malavos, um espaço que alia garrafeira e restauração, dedicado à promoção de experiências vínicas. Segundo explicou, o negócio dos vinhos surge como uma extensão natural do seu entendimento de lifestyle.

No encerramento da conversa, Escuro afirmou que moda e vinho fazem parte do mesmo universo: cuidado com a imagem, atenção ao detalhe e prazer em servir bem, princípios que orientam tanto o seu trabalho criativo como os seus projectos empresariais.

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