
Um dos inventores mais controversos do debate sobre a morte assistida decidiu actualizar o seu dispositivo com inteligência artificial, numa tentativa de o alinhar com os tempos digitais e, ao mesmo tempo, reacender uma discussão ética já sensível.
Philip Nitschke, conhecido pela criação da cápsula de suicídio Sarco, confirmou que a integração de IA no sistema está agora concluída. Em declarações à imprensa internacional, explicou que este era o único componente tecnológico que ainda faltava finalizar.
Apresentada em 2018, a Sarco, nome inspirado nos antigos sarcófagos, é uma cápsula impressa em 3D e promovida pela organização pró-morte assistida The Last Resort. O dispositivo ganhou notoriedade em 2024, quando foi utilizado num caso real na Suíça, envolvendo a morte de uma mulher de 64 anos, segundo avançou o portal tecnológico Pplware, que tem acompanhado o desenvolvimento e as polémicas associadas ao projecto.
O funcionamento da Sarco assenta num princípio central: a activação é feita exclusivamente pela pessoa que pretende morrer. Após pressionar um botão, o interior da cápsula é preenchido com azoto, provocando a perda de consciência e, em poucos minutos, a morte.
Até ao momento, esse episódio de 2024 permanece como o único caso conhecido de utilização efectiva do dispositivo. Na sequência do sucedido, as autoridades suíças deslocaram-se ao local e detiveram Florian Willet, então co-presidente da The Last Resort, sob suspeita de auxílio ao suicídio. Willet viria a ser libertado cerca de dois meses depois.
Na Suíça, a morte assistida é permitida apenas quando não existe motivação egoísta e desde que a pessoa demonstre capacidade mental para tomar a decisão, executando o acto sem ajuda directa de terceiros. É neste enquadramento legal que a Sarco procura posicionar-se.
O ponto mais controverso surge agora com a introdução da inteligência artificial na avaliação da capacidade mental. Nitschke revelou estar a desenvolver uma versão chamada “Double Dutch”, pensada para casais, que incluirá um teste psiquiátrico conduzido por IA. Caso o utilizador seja considerado apto, o sistema desbloqueia a cápsula por um período de 24 horas.
No caso ocorrido em 2024, a avaliação foi feita de forma convencional, através de uma breve consulta com um psiquiatra. Na nova versão, esse processo será substituído por um teste online, administrado por um avatar virtual.
A ideia de delegar a validação de uma decisão irreversível a um sistema de inteligência artificial levanta fortes reservas no meio académico e médico. Especialistas alertam que modelos de IA podem cometer erros, apresentar respostas inadequadas ou falhar na interpretação de contextos psicológicos complexos.
Confiar a estas tecnologias a autorização de um acto de morte é visto como um risco elevado, num terreno onde as consequências não admitem reversão.
À medida que a Sarco evolui tecnologicamente, o debate ético e legal promete intensificar-se. A inteligência artificial avança a um ritmo acelerado, mas as perguntas fundamentais sobre dignidade, responsabilidade e limites continuam longe de consenso.
Um dos inventores mais controversos do debate sobre a morte assistida decidiu actualizar o seu dispositivo com inteligência artificial, numa tentativa de o alinhar com os tempos digitais e, ao mesmo tempo, reacender uma discussão ética já sensível.
Philip Nitschke, conhecido pela criação da cápsula de suicídio Sarco, confirmou que a integração de IA no sistema está agora concluída. Em declarações à imprensa internacional, explicou que este era o único componente tecnológico que ainda faltava finalizar.
Apresentada em 2018, a Sarco, nome inspirado nos antigos sarcófagos, é uma cápsula impressa em 3D e promovida pela organização pró-morte assistida The Last Resort. O dispositivo ganhou notoriedade em 2024, quando foi utilizado num caso real na Suíça, envolvendo a morte de uma mulher de 64 anos, segundo avançou o portal tecnológico Pplware, que tem acompanhado o desenvolvimento e as polémicas associadas ao projecto.
O funcionamento da Sarco assenta num princípio central: a activação é feita exclusivamente pela pessoa que pretende morrer. Após pressionar um botão, o interior da cápsula é preenchido com azoto, provocando a perda de consciência e, em poucos minutos, a morte.
Até ao momento, esse episódio de 2024 permanece como o único caso conhecido de utilização efectiva do dispositivo. Na sequência do sucedido, as autoridades suíças deslocaram-se ao local e detiveram Florian Willet, então co-presidente da The Last Resort, sob suspeita de auxílio ao suicídio. Willet viria a ser libertado cerca de dois meses depois.
Na Suíça, a morte assistida é permitida apenas quando não existe motivação egoísta e desde que a pessoa demonstre capacidade mental para tomar a decisão, executando o acto sem ajuda directa de terceiros. É neste enquadramento legal que a Sarco procura posicionar-se.
O ponto mais controverso surge agora com a introdução da inteligência artificial na avaliação da capacidade mental. Nitschke revelou estar a desenvolver uma versão chamada “Double Dutch”, pensada para casais, que incluirá um teste psiquiátrico conduzido por IA. Caso o utilizador seja considerado apto, o sistema desbloqueia a cápsula por um período de 24 horas.
No caso ocorrido em 2024, a avaliação foi feita de forma convencional, através de uma breve consulta com um psiquiatra. Na nova versão, esse processo será substituído por um teste online, administrado por um avatar virtual.
A ideia de delegar a validação de uma decisão irreversível a um sistema de inteligência artificial levanta fortes reservas no meio académico e médico. Especialistas alertam que modelos de IA podem cometer erros, apresentar respostas inadequadas ou falhar na interpretação de contextos psicológicos complexos.
Confiar a estas tecnologias a autorização de um acto de morte é visto como um risco elevado, num terreno onde as consequências não admitem reversão.
À medida que a Sarco evolui tecnologicamente, o debate ético e legal promete intensificar-se. A inteligência artificial avança a um ritmo acelerado, mas as perguntas fundamentais sobre dignidade, responsabilidade e limites continuam longe de consenso.