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Morre a “mãe do GPS”, a matemática que mudou a forma de o mundo se orientar

Morre a “mãe do GPS”, a matemática que mudou a forma de o mundo se orientar
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É difícil medir o impacto de uma vida que, longe dos holofotes, redefiniu a forma como a humanidade se orienta no planeta. A matemática norte-americana Gladys West, reconhecida como a “mãe do GPS”, morreu no último sábado, aos 95 anos, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada pela família, que não revelou a causa da morte.

Nascida em 1930, numa zona rural marcada pela segregação racial, Gladys West cresceu a trabalhar na fazenda da família, filha de um ferroviário e de uma operária de uma fábrica de tabaco. Desde cedo percebeu que a educação seria o único caminho para romper com os limites impostos pela sua condição social e racial. Estudou com rigor, conquistou uma bolsa integral e formou-se em Matemática em 1952 pelo então Virginia State College, tornando-se a primeira da sua turma.

Em 1956, ingressou no Campo de Provas Naval de Dahlgren, sendo apenas a segunda mulher negra a ser contratada pela instituição. Num contexto dominado por homens e marcado pela Guerra Fria, integrou um restrito grupo de cientistas responsáveis por cálculos complexos ligados à geodesia, à astronomia e à computação.

Ao longo das décadas de 1960 e 1970, Gladys West desempenhou um papel central no desenvolvimento de modelos matemáticos capazes de representar com precisão a forma real da Terra. Utilizando algoritmos avançados e programando computadores como o IBM 7030, calculou variações gravitacionais, efeitos das marés e irregularidades do planeta, dados essenciais para definir as órbitas dos satélites que sustentam o Sistema de Posicionamento Global (GPS).

Na época, a própria cientista admitiu não ter plena consciência da dimensão do impacto do seu trabalho. Hoje, porém, é impossível ignorar que os seus cálculos estão na base de tecnologias usadas diariamente em áreas como transportes, comunicações, aviação, navegação marítima e serviços de emergência.

Mesmo após uma carreira que transformou a ciência moderna, Gladys West voltou à universidade e concluiu um doutoramento aos 70 anos, reafirmando a sua convicção de que o conhecimento não tem idade nem fronteiras.

A Virginia State University e várias figuras do meio científico lamentaram a sua morte, sublinhando um legado que transcende fórmulas e equações. Gladys West não apenas ajudou o mundo a localizar-se no espaço: deixou um exemplo duradouro de perseverança, excelência e fé no poder transformador da educação.

Hoje, a mulher que ensinou a humanidade a encontrar o caminho passa a ocupar, ela própria, um lugar definitivo na história da ciência.

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Veloso de Almeida

Repórter

Veloso estudou Comunicação Social no Instituto Superior Técnico de Angola (ISTA) e estagia como jornalista no portal ONgoma News.

É difícil medir o impacto de uma vida que, longe dos holofotes, redefiniu a forma como a humanidade se orienta no planeta. A matemática norte-americana Gladys West, reconhecida como a “mãe do GPS”, morreu no último sábado, aos 95 anos, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada pela família, que não revelou a causa da morte.

Nascida em 1930, numa zona rural marcada pela segregação racial, Gladys West cresceu a trabalhar na fazenda da família, filha de um ferroviário e de uma operária de uma fábrica de tabaco. Desde cedo percebeu que a educação seria o único caminho para romper com os limites impostos pela sua condição social e racial. Estudou com rigor, conquistou uma bolsa integral e formou-se em Matemática em 1952 pelo então Virginia State College, tornando-se a primeira da sua turma.

Em 1956, ingressou no Campo de Provas Naval de Dahlgren, sendo apenas a segunda mulher negra a ser contratada pela instituição. Num contexto dominado por homens e marcado pela Guerra Fria, integrou um restrito grupo de cientistas responsáveis por cálculos complexos ligados à geodesia, à astronomia e à computação.

Ao longo das décadas de 1960 e 1970, Gladys West desempenhou um papel central no desenvolvimento de modelos matemáticos capazes de representar com precisão a forma real da Terra. Utilizando algoritmos avançados e programando computadores como o IBM 7030, calculou variações gravitacionais, efeitos das marés e irregularidades do planeta, dados essenciais para definir as órbitas dos satélites que sustentam o Sistema de Posicionamento Global (GPS).

Na época, a própria cientista admitiu não ter plena consciência da dimensão do impacto do seu trabalho. Hoje, porém, é impossível ignorar que os seus cálculos estão na base de tecnologias usadas diariamente em áreas como transportes, comunicações, aviação, navegação marítima e serviços de emergência.

Mesmo após uma carreira que transformou a ciência moderna, Gladys West voltou à universidade e concluiu um doutoramento aos 70 anos, reafirmando a sua convicção de que o conhecimento não tem idade nem fronteiras.

A Virginia State University e várias figuras do meio científico lamentaram a sua morte, sublinhando um legado que transcende fórmulas e equações. Gladys West não apenas ajudou o mundo a localizar-se no espaço: deixou um exemplo duradouro de perseverança, excelência e fé no poder transformador da educação.

Hoje, a mulher que ensinou a humanidade a encontrar o caminho passa a ocupar, ela própria, um lugar definitivo na história da ciência.

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