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ChatGPT quebra hegemonia da Google e altera o mapa global das pesquisas online

ChatGPT quebra hegemonia da Google e altera o mapa global das pesquisas online
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Uma transformação profunda está em curso no universo digital. Após duas décadas de domínio quase absoluto da Google, o mercado global de pesquisas começa a dar sinais claros de mudança. O ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, conquistou uma fatia significativa do tráfego mundial e está a redefinir a forma como milhões de utilizadores procuram informação na Internet.

No arranque de 2026, a ferramenta de inteligência artificial alcançou uma quota estimada entre 17% e 18% das pesquisas globais, um feito inédito para qualquer concorrente directo da Google. Embora o motor de busca da gigante tecnológica continue a liderar com cerca de 78% a 80% do mercado, a tendência revela uma alteração estrutural nos hábitos digitais dos utilizadores, que passam a privilegiar respostas imediatas e contextualizadas.

Segundo dados divulgados pela Pplware, esta mudança não se limita à quota de mercado. O envolvimento dos utilizadores com o ChatGPT é significativamente superior, com sessões médias que ultrapassam os 13 minutos, enquanto as pesquisas tradicionais na Google rondam os seis minutos. Este indicador sugere uma relação mais prolongada e interactiva com as plataformas baseadas em IA generativa.

Entretanto, a Google procura recuperar terreno com o lançamento do Gemini 3, apresentado em Novembro de 2025, e da versão Gemini 3 Flash, em Dezembro do mesmo ano. O tráfego produtivo associado ao Gemini registou um crescimento expressivo, aproximando-se dos 18%, ainda que o ChatGPT continue a liderar de forma clara no ecossistema da inteligência artificial aplicada à pesquisa.

A disputa revela também uma divisão funcional entre plataformas. O Google mantém-se como referência para pesquisas locais, serviços e decisões de compra, enquanto o ChatGPT ganha protagonismo na recolha de informação, análise de temas complexos e produção criativa. A maioria esmagadora das interacções com IA tem fins informativos, deixando as pesquisas comerciais numa posição residual.

Esta viragem tecnológica está a provocar impactos profundos no sector dos media digitais. O chamado modelo de “zero cliques”, no qual a resposta surge directamente na interface da IA, reduz drasticamente a necessidade de aceder a sites externos. Estima-se que entre 65% das pesquisas sejam resolvidas sem cliques, provocando quedas acentuadas no tráfego das editoras e perdas significativas em receitas publicitárias.

Perante este cenário, a optimização clássica para motores de busca começa a perder relevância. Em seu lugar, emerge a Otimização Generativa para Motores de Pesquisa (GEO), onde o objectivo passa a ser a citação directa nas respostas produzidas por inteligência artificial. Embora grandes grupos de comunicação já tenham acordos de licenciamento com empresas tecnológicas, os criadores independentes enfrentam novos desafios para garantir visibilidade e sustentabilidade.

O avanço do ChatGPT não representa apenas uma disputa entre plataformas, mas o prenúncio de uma nova era na Internet, onde a forma de procurar, consumir e produzir informação está a ser profundamente redesenhada.

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Veloso de Almeida

Repórter

Veloso estudou Comunicação Social no Instituto Superior Técnico de Angola (ISTA) e estagia como jornalista no portal ONgoma News.

Uma transformação profunda está em curso no universo digital. Após duas décadas de domínio quase absoluto da Google, o mercado global de pesquisas começa a dar sinais claros de mudança. O ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, conquistou uma fatia significativa do tráfego mundial e está a redefinir a forma como milhões de utilizadores procuram informação na Internet.

No arranque de 2026, a ferramenta de inteligência artificial alcançou uma quota estimada entre 17% e 18% das pesquisas globais, um feito inédito para qualquer concorrente directo da Google. Embora o motor de busca da gigante tecnológica continue a liderar com cerca de 78% a 80% do mercado, a tendência revela uma alteração estrutural nos hábitos digitais dos utilizadores, que passam a privilegiar respostas imediatas e contextualizadas.

Segundo dados divulgados pela Pplware, esta mudança não se limita à quota de mercado. O envolvimento dos utilizadores com o ChatGPT é significativamente superior, com sessões médias que ultrapassam os 13 minutos, enquanto as pesquisas tradicionais na Google rondam os seis minutos. Este indicador sugere uma relação mais prolongada e interactiva com as plataformas baseadas em IA generativa.

Entretanto, a Google procura recuperar terreno com o lançamento do Gemini 3, apresentado em Novembro de 2025, e da versão Gemini 3 Flash, em Dezembro do mesmo ano. O tráfego produtivo associado ao Gemini registou um crescimento expressivo, aproximando-se dos 18%, ainda que o ChatGPT continue a liderar de forma clara no ecossistema da inteligência artificial aplicada à pesquisa.

A disputa revela também uma divisão funcional entre plataformas. O Google mantém-se como referência para pesquisas locais, serviços e decisões de compra, enquanto o ChatGPT ganha protagonismo na recolha de informação, análise de temas complexos e produção criativa. A maioria esmagadora das interacções com IA tem fins informativos, deixando as pesquisas comerciais numa posição residual.

Esta viragem tecnológica está a provocar impactos profundos no sector dos media digitais. O chamado modelo de “zero cliques”, no qual a resposta surge directamente na interface da IA, reduz drasticamente a necessidade de aceder a sites externos. Estima-se que entre 65% das pesquisas sejam resolvidas sem cliques, provocando quedas acentuadas no tráfego das editoras e perdas significativas em receitas publicitárias.

Perante este cenário, a optimização clássica para motores de busca começa a perder relevância. Em seu lugar, emerge a Otimização Generativa para Motores de Pesquisa (GEO), onde o objectivo passa a ser a citação directa nas respostas produzidas por inteligência artificial. Embora grandes grupos de comunicação já tenham acordos de licenciamento com empresas tecnológicas, os criadores independentes enfrentam novos desafios para garantir visibilidade e sustentabilidade.

O avanço do ChatGPT não representa apenas uma disputa entre plataformas, mas o prenúncio de uma nova era na Internet, onde a forma de procurar, consumir e produzir informação está a ser profundamente redesenhada.

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