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Sexo oral torna-se principal factor de risco para cancro da garganta

Sexo oral torna-se principal factor de risco para cancro da garganta
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Durante décadas, o cancro da garganta foi quase sempre associado ao tabaco e ao consumo excessivo de álcool, afectando sobretudo homens idosos. Esse retrato, porém, deixou de corresponder à realidade. Hoje, a doença apresenta um novo perfil: atinge homens e mulheres mais jovens, em torno dos 45 anos, muitos deles com histórico de infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV).

Estudos recentes indicam que o sexo oral se tornou o principal factor de risco para o cancro da orofaringe, um tipo de tumor que afecta a parte posterior da língua, as amígdalas e a faringe. Entre os vários tipos de HPV existentes, os subtipos 16 e 18 são os mais frequentemente associados ao desenvolvimento da doença.

Uma investigação conduzida pela Universidade de Birmingham, no Reino Unido, ajudou a reforçar a ligação directa entre o vírus e o aumento expressivo deste tipo específico de cancro. O fenómeno preocupa especialistas, sobretudo porque, ao contrário de outros cancros relacionados com o HPV, como o do colo do útero, o cancro da orofaringe tem registado crescimento constante.

“Enquanto outros cancros induzidos pelo HPV diminuíram graças à vacinação e ao rastreio, o cancro da orofaringe está a aumentar, especialmente entre os homens”, alerta o cirurgião-dentista Alan Roger dos Santos Silva, secretário da Câmara Técnica de Patologia Oral e Maxilofacial do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo.

Um dos maiores desafios está no facto de o HPV ser frequentemente assintomático. A infecção pode permanecer silenciosa durante meses ou anos, facilitando a transmissão entre parceiros sem que haja sinais evidentes da doença. Em situações de baixa imunidade, o vírus pode multiplicar-se e manifestar-se.

Quando se trata de tipos benignos, o HPV pode provocar verrugas na região genital, anal ou oral. Já os tipos malignos não causam lesões visíveis e evoluem directamente para tumores, o que dificulta o diagnóstico precoce.

Considerada uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo, a expansão do HPV e a sua ligação a vários tipos de cancro levam investigadores a alertar para a possibilidade de uma nova epidemia silenciosa.

“Existem duas vias distintas para o desenvolvimento do cancro de orofaringe, e uma delas está directamente ligada ao HPV. Estudos nos Estados Unidos e no Reino Unido indicam que, entre 2030 e 2040, a incidência deste cancro associado ao vírus poderá igualar-se à dos tumores provocados pelo tabagismo”, explica Ullyanov Toscano, cirurgião de cabeça e pescoço da UFRJ e do Instituto Nacional de Cancro do Brasil.

Embora o tabaco continue a ser um factor dominante, os especialistas sublinham que o crescimento dos tumores relacionados com o HPV já é uma realidade e exige mais informação, prevenção e debate público.

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Veloso de Almeida

Repórter

Veloso estudou Comunicação Social no Instituto Superior Técnico de Angola (ISTA) e estagia como jornalista no portal ONgoma News.

Durante décadas, o cancro da garganta foi quase sempre associado ao tabaco e ao consumo excessivo de álcool, afectando sobretudo homens idosos. Esse retrato, porém, deixou de corresponder à realidade. Hoje, a doença apresenta um novo perfil: atinge homens e mulheres mais jovens, em torno dos 45 anos, muitos deles com histórico de infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV).

Estudos recentes indicam que o sexo oral se tornou o principal factor de risco para o cancro da orofaringe, um tipo de tumor que afecta a parte posterior da língua, as amígdalas e a faringe. Entre os vários tipos de HPV existentes, os subtipos 16 e 18 são os mais frequentemente associados ao desenvolvimento da doença.

Uma investigação conduzida pela Universidade de Birmingham, no Reino Unido, ajudou a reforçar a ligação directa entre o vírus e o aumento expressivo deste tipo específico de cancro. O fenómeno preocupa especialistas, sobretudo porque, ao contrário de outros cancros relacionados com o HPV, como o do colo do útero, o cancro da orofaringe tem registado crescimento constante.

“Enquanto outros cancros induzidos pelo HPV diminuíram graças à vacinação e ao rastreio, o cancro da orofaringe está a aumentar, especialmente entre os homens”, alerta o cirurgião-dentista Alan Roger dos Santos Silva, secretário da Câmara Técnica de Patologia Oral e Maxilofacial do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo.

Um dos maiores desafios está no facto de o HPV ser frequentemente assintomático. A infecção pode permanecer silenciosa durante meses ou anos, facilitando a transmissão entre parceiros sem que haja sinais evidentes da doença. Em situações de baixa imunidade, o vírus pode multiplicar-se e manifestar-se.

Quando se trata de tipos benignos, o HPV pode provocar verrugas na região genital, anal ou oral. Já os tipos malignos não causam lesões visíveis e evoluem directamente para tumores, o que dificulta o diagnóstico precoce.

Considerada uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo, a expansão do HPV e a sua ligação a vários tipos de cancro levam investigadores a alertar para a possibilidade de uma nova epidemia silenciosa.

“Existem duas vias distintas para o desenvolvimento do cancro de orofaringe, e uma delas está directamente ligada ao HPV. Estudos nos Estados Unidos e no Reino Unido indicam que, entre 2030 e 2040, a incidência deste cancro associado ao vírus poderá igualar-se à dos tumores provocados pelo tabagismo”, explica Ullyanov Toscano, cirurgião de cabeça e pescoço da UFRJ e do Instituto Nacional de Cancro do Brasil.

Embora o tabaco continue a ser um factor dominante, os especialistas sublinham que o crescimento dos tumores relacionados com o HPV já é uma realidade e exige mais informação, prevenção e debate público.

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