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Juventude africana apoia a democracia, mas quer um modelo mais ajustado às realidades do continente

Juventude africana apoia a democracia, mas quer um modelo mais ajustado às realidades do continente
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A juventude africana continua a acreditar na democracia, mas considera que o modelo actualmente dominante não responde às necessidades do continente. A defesa de um sistema político mais próximo das realidades africanas, capaz de criar empregos, garantir estabilidade e aproximar os líderes da população, é uma das principais conclusões do Inquérito à Juventude Africana 2026.

O estudo, promovido pela Fundação Família Ichikowitz e conduzido pela PSB Insights, entrevistou 4.901 jovens entre os 18 e os 24 anos em 16 países africanos, traçando um retrato das expectativas da nova geração sobre governação, participação política e desenvolvimento.

Segundo o relatório, 73% dos jovens afirmam que a democracia continua a ser preferível a qualquer outra forma de governo, enquanto 64% rejeitam regimes de partido único. No entanto, 56% consideram que a democracia de inspiração ocidental não é adequada para África, defendendo um modelo político assente nas realidades sociais, económicas e culturais do continente.

Entre os elementos considerados essenciais para esse modelo destacam-se a unidade e estabilidade nacional (48%), eleições livres e justas (46%), líderes capazes de criar empregos e assegurar serviços públicos (43%) e uma maior participação das comunidades nas decisões políticas (36%).

A investigação revela igualmente um crescente afastamento entre a juventude e a classe política. Cerca de 76% dos inquiridos afirmam que os líderes estão desligados das necessidades e aspirações dos jovens, a mesma percentagem considera que existem poucos jovens em cargos governativos.

Apesar dessa percepção, os jovens demonstram confiança na sua capacidade de influenciar o futuro político. O estudo mostra que 84% acreditam que poderão ter um papel relevante nas decisões públicas nos próximos cinco anos. Além disso, 79% afirmam que estariam mais dispostos a votar em partidos que apresentassem mais candidatos jovens, enquanto outros 79% defendem a criação de um Ministério da Juventude. Já 65% apoiam a introdução de limites de idade para presidentes e primeiros-ministros.

O relatório conclui ainda que a juventude africana não rejeita a democracia, mas exige que ela produza resultados concretos. Os inquiridos dividem-se quase de forma equilibrada entre a importância de respeitar plenamente os procedimentos democráticos e a necessidade de governos capazes de responder rapidamente aos desafios da população, evidenciando uma geração que procura conciliar liberdade, responsabilidade e eficácia.

O estudo surge num contexto de crescente mobilização juvenil em vários países africanos, marcada por manifestações contra o elevado custo de vida, a corrupção, o desemprego e a falta de oportunidades. Para os autores da pesquisa, estas reivindicações não representam uma rejeição da democracia, mas antes um apelo por sistemas políticos mais inclusivos, representativos e eficazes.

O relatório aponta ainda que o aumento do custo de vida continua a ser a principal preocupação da juventude africana, seguido pela necessidade de criar empregos e reduzir a corrupção, factores considerados determinantes para o progresso e a estabilidade do continente.

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Veloso de Almeida

Repórter

Veloso estudou Comunicação Social no Instituto Superior Técnico de Angola (ISTA) e estagia como jornalista no portal ONgoma News.

A juventude africana continua a acreditar na democracia, mas considera que o modelo actualmente dominante não responde às necessidades do continente. A defesa de um sistema político mais próximo das realidades africanas, capaz de criar empregos, garantir estabilidade e aproximar os líderes da população, é uma das principais conclusões do Inquérito à Juventude Africana 2026.

O estudo, promovido pela Fundação Família Ichikowitz e conduzido pela PSB Insights, entrevistou 4.901 jovens entre os 18 e os 24 anos em 16 países africanos, traçando um retrato das expectativas da nova geração sobre governação, participação política e desenvolvimento.

Segundo o relatório, 73% dos jovens afirmam que a democracia continua a ser preferível a qualquer outra forma de governo, enquanto 64% rejeitam regimes de partido único. No entanto, 56% consideram que a democracia de inspiração ocidental não é adequada para África, defendendo um modelo político assente nas realidades sociais, económicas e culturais do continente.

Entre os elementos considerados essenciais para esse modelo destacam-se a unidade e estabilidade nacional (48%), eleições livres e justas (46%), líderes capazes de criar empregos e assegurar serviços públicos (43%) e uma maior participação das comunidades nas decisões políticas (36%).

A investigação revela igualmente um crescente afastamento entre a juventude e a classe política. Cerca de 76% dos inquiridos afirmam que os líderes estão desligados das necessidades e aspirações dos jovens, a mesma percentagem considera que existem poucos jovens em cargos governativos.

Apesar dessa percepção, os jovens demonstram confiança na sua capacidade de influenciar o futuro político. O estudo mostra que 84% acreditam que poderão ter um papel relevante nas decisões públicas nos próximos cinco anos. Além disso, 79% afirmam que estariam mais dispostos a votar em partidos que apresentassem mais candidatos jovens, enquanto outros 79% defendem a criação de um Ministério da Juventude. Já 65% apoiam a introdução de limites de idade para presidentes e primeiros-ministros.

O relatório conclui ainda que a juventude africana não rejeita a democracia, mas exige que ela produza resultados concretos. Os inquiridos dividem-se quase de forma equilibrada entre a importância de respeitar plenamente os procedimentos democráticos e a necessidade de governos capazes de responder rapidamente aos desafios da população, evidenciando uma geração que procura conciliar liberdade, responsabilidade e eficácia.

O estudo surge num contexto de crescente mobilização juvenil em vários países africanos, marcada por manifestações contra o elevado custo de vida, a corrupção, o desemprego e a falta de oportunidades. Para os autores da pesquisa, estas reivindicações não representam uma rejeição da democracia, mas antes um apelo por sistemas políticos mais inclusivos, representativos e eficazes.

O relatório aponta ainda que o aumento do custo de vida continua a ser a principal preocupação da juventude africana, seguido pela necessidade de criar empregos e reduzir a corrupção, factores considerados determinantes para o progresso e a estabilidade do continente.

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