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TikTok aposta no comércio de proximidade e reacende debate sobre privacidade

TikTok aposta no comércio de proximidade e reacende debate sobre privacidade
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O TikTok está a testar uma nova funcionalidade que promete aproximar utilizadores e negócios da mesma zona geográfica. A novidade chama-se “feed local” e surge como uma montra digital dedicada a restaurantes, lojas, museus e eventos situados nas imediações de cada utilizador.

A proposta parece simples: abrir a aplicação e descobrir o que está a acontecer à volta. Contudo, a simplicidade esconde uma questão sensível para funcionar plenamente, o sistema depende da recolha da localização exacta dos utilizadores.

Até aqui, os termos de serviço da plataforma referiam-se sobretudo a dados de localização aproximada. A alteração ocorre num contexto de mudanças estruturais na operação norte-americana da aplicação, entretanto vendida a investidores dos EUA. A actualização das políticas abriu espaço à utilização de dados mais precisos, o que desencadeou um novo debate sobre o equilíbrio entre utilidade e privacidade, conforme noticiou a pplware.

Importa sublinhar que o feed local não está activo por defeito. Cabe ao utilizador activá-lo manualmente nas definições da aplicação. Ao contrário do que poderia sugerir, o objectivo não é promover interacções sociais ou combater o isolamento. A prioridade é claramente comercial. A plataforma passa a sugerir experiências de consumo próximas um restaurante recém-inaugurado, uma loja em destaque ou um evento cultural a poucos quarteirões de distância.

Analistas apontam que a medida integra uma estratégia mais ampla de aproximação às pequenas e médias empresas. Ao tornar-se uma vitrine para o comércio local, o TikTok reforça o seu posicionamento como ferramenta de marketing e publicidade.

Segundo dados divulgados pela própria empresa, mais de 7,5 milhões de negócios nos Estados Unidos utilizam a plataforma para chegar aos seus clientes. A informação baseia-se num relatório da Oxford Economics, elaborado antes da conclusão do recente acordo que reconfigurou a estrutura accionista da operação norte-americana.

Há também quem veja nesta aposta um movimento preventivo face a possíveis restrições regulatórias. Ao demonstrar que milhares de pequenos negócios dependem da aplicação para gerar receitas, a empresa poderá fortalecer a sua posição perante eventuais pressões políticas ou legais.

Entre os investidores da nova estrutura norte-americana encontra-se a Oracle. O fundador da empresa, Larry Ellison, afirmou em tempos que os cidadãos tendem a comportar-se melhor quando sabem que estão sob vigilância constante, uma declaração que hoje ganha novo peso à luz da recolha de dados de localização exacta.

6galeria

Veloso de Almeida

Repórter

Veloso estudou Comunicação Social no Instituto Superior Técnico de Angola (ISTA) e estagia como jornalista no portal ONgoma News.

O TikTok está a testar uma nova funcionalidade que promete aproximar utilizadores e negócios da mesma zona geográfica. A novidade chama-se “feed local” e surge como uma montra digital dedicada a restaurantes, lojas, museus e eventos situados nas imediações de cada utilizador.

A proposta parece simples: abrir a aplicação e descobrir o que está a acontecer à volta. Contudo, a simplicidade esconde uma questão sensível para funcionar plenamente, o sistema depende da recolha da localização exacta dos utilizadores.

Até aqui, os termos de serviço da plataforma referiam-se sobretudo a dados de localização aproximada. A alteração ocorre num contexto de mudanças estruturais na operação norte-americana da aplicação, entretanto vendida a investidores dos EUA. A actualização das políticas abriu espaço à utilização de dados mais precisos, o que desencadeou um novo debate sobre o equilíbrio entre utilidade e privacidade, conforme noticiou a pplware.

Importa sublinhar que o feed local não está activo por defeito. Cabe ao utilizador activá-lo manualmente nas definições da aplicação. Ao contrário do que poderia sugerir, o objectivo não é promover interacções sociais ou combater o isolamento. A prioridade é claramente comercial. A plataforma passa a sugerir experiências de consumo próximas um restaurante recém-inaugurado, uma loja em destaque ou um evento cultural a poucos quarteirões de distância.

Analistas apontam que a medida integra uma estratégia mais ampla de aproximação às pequenas e médias empresas. Ao tornar-se uma vitrine para o comércio local, o TikTok reforça o seu posicionamento como ferramenta de marketing e publicidade.

Segundo dados divulgados pela própria empresa, mais de 7,5 milhões de negócios nos Estados Unidos utilizam a plataforma para chegar aos seus clientes. A informação baseia-se num relatório da Oxford Economics, elaborado antes da conclusão do recente acordo que reconfigurou a estrutura accionista da operação norte-americana.

Há também quem veja nesta aposta um movimento preventivo face a possíveis restrições regulatórias. Ao demonstrar que milhares de pequenos negócios dependem da aplicação para gerar receitas, a empresa poderá fortalecer a sua posição perante eventuais pressões políticas ou legais.

Entre os investidores da nova estrutura norte-americana encontra-se a Oracle. O fundador da empresa, Larry Ellison, afirmou em tempos que os cidadãos tendem a comportar-se melhor quando sabem que estão sob vigilância constante, uma declaração que hoje ganha novo peso à luz da recolha de dados de localização exacta.

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